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O regresso das guerras cambiais

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O regresso das guerras cambiais

Mensagem por Admin em Sex Dez 19, 2014 11:44 pm




A recente decisão do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) de aumentar o âmbito dos seus estímulos à economia (expressos na chamada flexibilização quantitativa, que se traduz sobretudo na compra de activos) é um sinal de que pode estar em vias de surgir uma nova ronda de guerras cambiais. O esforço do BoJ para debilitar o iene é uma abordagem de concorrência desleal que está a motivar reacções políticas por toda a Ásia e no resto do mundo.


A recente decisão do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) de aumentar o âmbito dos seus estímulos à economia (expressos na chamada flexibilização quantitativa, que se traduz sobretudo na compra de activos) é um sinal de que pode estar em vias de surgir uma nova ronda de guerras cambiais. O esforço do BoJ para debilitar o iene é uma abordagem de concorrência desleal que está a motivar reacções políticas por toda a Ásia e no resto do mundo.
 
Os bancos centrais na China, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Tailândia, receosos de perderem competitividade face ao Japão, estão a flexibilizar as suas próprias políticas monetárias – ou em breve irão flexibilizá-las ainda mais. É provável que o Banco Central Europeu e os bancos centrais da Suíça, Suécia, Noruega e de alguns países da Europa Central adoptem a flexibilização quantitativa ou recorram a outras políticas não convencionais para evitarem que as suas moedas valorizem.
 
Tudo isto levará a um fortalecimento do dólar norte-americano, numa altura em que o crescimento nos EUA está a retomar e em que a Reserva Federal indicou que subirá os juros directores no próximo ano. Mas se o crescimento mundial se mantiver débil e o dólar ficar demasiado forte, até mesmo a Fed pode decidir subir os juros mais tarde e de forma mais progressiva para evitar uma excessiva valorização da sua moeda.
 
A causa para esta recente perturbação cambial é clara: num contexto de desalavancagem pública e privada face aos elevados níveis de endividamento, a política monetária tornou-se a única ferramenta disponível para impulsionar a procura e o crescimento. A austeridade orçamental exacerbou o impacto da desalavancagem, constituindo um entrave directo e indirecto ao crescimento. A diminuição dos gastos públicos reduz a procura agregada, ao passo que a redução das transferências e o aumento dos impostos reduzem o rendimento disponível e, consequentemente, o consumo privado.
 
Na Zona Euro, o corte abrupto dos fluxos de capital para a periferia, bem como os condicionalismos orçamentais impostos (com o apoio da Alemanha) pela União Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo BCE, foram um forte travão ao crescimento. No Japão, o aumento excessivamente precoce do imposto sobre o consumo matou literalmente a retoma alcançada este ano. Nos Estados Unidos, a activação dos cortes automáticos da despesa federal e a implementação de outras políticas relativas aos impostos e aos gastos levaram a um forte aperto orçamental em 2012-2014. E no Reino Unido, a consolidação orçamental auto-imposta fragilizou o crescimento até este ano.
 
Globalmente, o assimétrico ajustamento das economias credoras e devedoras exacerbou esta espiral recessiva e deflacionista. Os países que andaram a gastar em demasia e sem pouparem devidamente, registando défices das contas correntes, foram obrigados pelos mercados a gastarem menos e a pouparem mais. Não é de surpreender que os seus défices comerciais estejam a encolher. Mas a maioria dos países que poupou excessivamente e que consumiu menos do que devia não passou a poupar menos e a gastar mais; os seus excedentes das contas correntes têm estado a crescer, agravando a debilidade da procura mundial e, por isso, minando o crescimento.
 
Uma vez que a austeridade orçamental e o ajustamento assimétrico pesavam significativamente no desempenho económico, foi a política monetária que teve de suportar o fardo de sustentar um crescimento débil através de moedas mais fracas e maiores exportações líquidas. Mas as guerras cambiais daí decorrentes são, em parte, um jogo de soma zero: se uma moeda está mais fraca, outra moeda tem de estar mais forte; e se a balança comercial de um país melhora, a de outro tem de piorar.
 
É claro que a flexibilização monetária não é puramente um jogo de soma zero. A flexibilização pode fomentar o crescimento, ao fazer subir os preços dos activos (mercado accionista e mercado imobiliário), ao reduzir os custos de financiamento privado e público e ao limitar o risco de uma descida da inflação real e esperada. Atendendo ao aperto orçamental e ao desendividamento do sector privado, a inexistência de suficiente flexibilização monetária nos últimos anos teria conduzido a repetidas entradas em recessão (como aconteceu, por exemplo, na Zona Euro).
 
Contudo, o mix total de políticas levadas a cabo tem estado abaixo do ideal, com uma consolidação orçamental excessivamente precoce e um excesso de políticas monetárias não convencionais (que foram perdendo a sua eficácia ao longo do tempo). Uma melhor abordagem nas economias avançadas teria sido menos consolidação orçamental no curto prazo e mais investimento em infra-estruturas produtivas, de par com um compromisso mais credível para com o ajustamento orçamental de médio e longo prazo e uma flexibilização monetária menos agressiva.
 
Podemos levar um cavalo à fonte, mas não podemos obrigá-lo a beber dessa água. Num mundo em que a procura privada agregada está débil e em que as políticas monetárias não convencionais acabam por deixar de surtir efeito, existem bons motivos para atrasar a consolidação orçamental e investir gastos em infra-estruturas públicas produtivas.
 
Esses gastos oferecem retornos que são certamente mais elevados do que as baixas taxas de juro que a maioria das economias avançadas têm hoje, e as necessidades de infra-estruturas são enormes tanto nas economias avançadas como nas emergentes (com excepção da China, que investiu demasiadamente em infra-estruturas). Além disso, o investimento público funciona para ambos os lados, o da procura e o da oferta. Não só permite dinamizar a procura agregada directamente como também expande o potencial de produção, ao aumentar as reservas de capital susceptíveis de impulsionarem a produtividade.
 
Lamentavelmente, a economia política da austeridade levou a resultados aquém do ideal. Num aperto orçamental, os primeiros cortes na despesa atingem os investimentos públicos produtivos porque os governos preferem proteger os gastos actuais – e muitas vezes ineficientes – em empregos do sector público e transferências para o sector privado. Consequentemente, a retoma global continua anémica na maioria das economias avançadas (com a parcial excepção dos EUA e do Reino Unido) e agora também nos principais países emergentes, onde o crescimento desacelerou fortemente nos últimos dois anos.
 
As políticas adequadas – menos austeridade orçamental no curto prazo, mais investimento público e menos dependência da flexibilização monetária – são o oposto daquelas que foram levadas a cabo pelas principais economias do mundo. Não é de admirar que o crescimento mundial continue a ser decepcionante. De certa maneira, agora todos somos japoneses.
 
Nouriel Roubini é presidente da Roubini Global Economics e professor na Stern School of Business da Universidade de Nova Iorque.
 
Direitos de autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org

Tradução: Carla Pedro

19 Dezembro 2014, 16:27 por Nouriel Roubini | © Project Syndicate www.project-syndicate.org
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