Procurar
Entrar
Últimos assuntos
Tópicos mais visitados
Quem está conectado?
Há 450 usuários online :: 0 registrados, 0 invisíveis e 450 visitantes :: 1 motor de buscaNenhum
O recorde de usuários online foi de 864 em Sex Fev 03, 2017 11:03 pm
Do criptogoverno
Página 1 de 1
Do criptogoverno
É indispensável que os estados-membros da União Europeia não enterrem a cabeça na areia.
Recebi comentários interessantes a propósito da minha última crónica, em que abordei a questão da soberania dos estados europeus. Os companheiros de Constâncio, empenhados em defendê-lo, não terão entendido o que escrevi. Foi nesse contexto que decidi reler ‘As ideologias e o poder em crise’, de Norberto Bobbio. Há mais de três décadas, no auge da crise italiana que se seguiu à morte de Aldo Moro, perguntava-se quem governava de facto. E lembrava que não se pode falar de Estado, qualquer que seja a sociedade organizada, se não soubermos quem nos governa. Se não houver uma resposta clara a essa pergunta, não existe Estado, porque o Estado só existe se tiver o monopólio da força e se esse monopólio for evidente e percecionado.
O que preocupava Bobbio era o sub-governo - em particular as iniciativas de magistrados que tinham como meta autênticas decisões políticas - e a multiplicação de centros de poder informais e vicários. Hoje, além do sub-governo, temos também o sobre-governo, instalado nas instituições internacionais que se constituíram em órgãos de poder não escrutinados, que se sobrepõem aos governos legítimos e tomam decisões com muito maior peso nas nossas vidas do que toda a legislação de parlamentos. Ora, essas instituições não só elaboram regulamentos como também os aplicam, quebrando o princípio da separação de poderes, que tem sido a nossa referência desde a revolução francesa.
Acresce que, à falta de legitimação democrática, os seus responsáveis optam pela desfaçatez. Só assim se compreende que a comissária do Comércio, Cecília Maelstrom, ao ser confrontada com a crescente oposição da opinião pública europeia ao TIPP - o importantíssimo tratado transatlântico que tantas questões tem levantado - não hesite em declarar que não recebeu o seu mandato desses europeus. Ou seja, a comissária sentir-se-á iluminada por um interesse comum, que se sobrepõe a esse mandato. Sucede, e por muito que lhe custe, que tratados desta dimensão, com impacto tão relevante, não podem ser negociados às escondidas, por quem se pode crer iluminada mas não tem representatividade democrática. Por isso, e por tudo o que está em jogo, é indispensável que os estados-membros, através dos seus governos e parlamentos, não enterrem a cabeça na areia e, por uma vez, assumam as suas responsabilidades plenas.
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/rui_moreira/detalhe/do_criptogoverno.html
15.05.2016 00:30
RUI MOREIRA
Presidente da Câmara Municipal do Porto
Correio da Manhã
Recebi comentários interessantes a propósito da minha última crónica, em que abordei a questão da soberania dos estados europeus. Os companheiros de Constâncio, empenhados em defendê-lo, não terão entendido o que escrevi. Foi nesse contexto que decidi reler ‘As ideologias e o poder em crise’, de Norberto Bobbio. Há mais de três décadas, no auge da crise italiana que se seguiu à morte de Aldo Moro, perguntava-se quem governava de facto. E lembrava que não se pode falar de Estado, qualquer que seja a sociedade organizada, se não soubermos quem nos governa. Se não houver uma resposta clara a essa pergunta, não existe Estado, porque o Estado só existe se tiver o monopólio da força e se esse monopólio for evidente e percecionado.
O que preocupava Bobbio era o sub-governo - em particular as iniciativas de magistrados que tinham como meta autênticas decisões políticas - e a multiplicação de centros de poder informais e vicários. Hoje, além do sub-governo, temos também o sobre-governo, instalado nas instituições internacionais que se constituíram em órgãos de poder não escrutinados, que se sobrepõem aos governos legítimos e tomam decisões com muito maior peso nas nossas vidas do que toda a legislação de parlamentos. Ora, essas instituições não só elaboram regulamentos como também os aplicam, quebrando o princípio da separação de poderes, que tem sido a nossa referência desde a revolução francesa.
Acresce que, à falta de legitimação democrática, os seus responsáveis optam pela desfaçatez. Só assim se compreende que a comissária do Comércio, Cecília Maelstrom, ao ser confrontada com a crescente oposição da opinião pública europeia ao TIPP - o importantíssimo tratado transatlântico que tantas questões tem levantado - não hesite em declarar que não recebeu o seu mandato desses europeus. Ou seja, a comissária sentir-se-á iluminada por um interesse comum, que se sobrepõe a esse mandato. Sucede, e por muito que lhe custe, que tratados desta dimensão, com impacto tão relevante, não podem ser negociados às escondidas, por quem se pode crer iluminada mas não tem representatividade democrática. Por isso, e por tudo o que está em jogo, é indispensável que os estados-membros, através dos seus governos e parlamentos, não enterrem a cabeça na areia e, por uma vez, assumam as suas responsabilidades plenas.
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/rui_moreira/detalhe/do_criptogoverno.html
15.05.2016 00:30
RUI MOREIRA
Presidente da Câmara Municipal do Porto
Correio da Manhã
Página 1 de 1
Permissões neste sub-fórum
Não podes responder a tópicos
Qui Dez 28, 2017 3:16 pm por Admin
» Apanhar o comboio
Seg Abr 17, 2017 11:24 am por Admin
» O que pode Lisboa aprender com Berlim
Seg Abr 17, 2017 11:20 am por Admin
» A outra austeridade
Seg Abr 17, 2017 11:16 am por Admin
» Artigo de opinião de Maria Otília de Souza: «O papel dos custos na economia das empresas»
Seg Abr 17, 2017 10:57 am por Admin
» Recorde de maior porta-contentores volta a 'cair' com entrega do Maersk Madrid de 20.568 TEU
Seg Abr 17, 2017 10:50 am por Admin
» Siemens instalou software de controlo avançado para movimentações no porto de Sines
Seg Abr 17, 2017 10:49 am por Admin
» Pelos caminhos
Seg Abr 17, 2017 10:45 am por Admin
» Alta velocidade: o grande assunto pendente
Seg Abr 17, 2017 10:41 am por Admin