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Cimentar a ribeira
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Cimentar a ribeira
Está em curso uma grande obra do Governo no Funchal, desta vez ribeira acima e ribeira abaixo. Na margem esquerda e na margem direita. E no meio. E em várias pontes de uma só vez. Não se percebe bem ainda o que vai ali nascer, mas isso parece interessar pouco e a poucos. O que se sabe é que as obras já estão no terreno, ou na água, que vão demorar quase ano e meio e que acontecem em nome da segurança.
Em nome da segurança? Alto aí e pára o baile. Está dita a palavra mágica. Basta meter a segurança das pessoas ao barulho e a obra está mais do que justificada. E os milhões são mais do que bem gastos. Exemplos disto há por aí aos pontapés. Durante anos foram derramados por essa Madeira dentro túneis e estradas e viadutos e muralhas e até um heliporto em nome da segurança. Alguns desses túneis e estradas e viadutos e muralhas e até o heliporto não funcionam, mas o melhor é não contestar. Não vá chegar o dia em que um paraquedista perdido fica dependurado na beira do heliporto do Porto Moniz e atiram à cara dos mal-agradecidos: estão a ver, afinal, aquilo foi preciso!
Segurança. Foi também com esse nome que se desviou a marina do Lugar de Baixo um pouco mais para lá, ou mais para cá, para dar segurança aos veraneantes e às embarcações e o efeito foi justamente o contrário. Mais recentemente, e já depois de avisadas todas as autoridades, foi por causa da segurança que se fez um jardim na baía do Funchal e, para segurança do jardim, fez-se uma espécie de porto. O problema é que poucos meses depois da obra pronta, nem um barco atraca ali. Por causa da segurança. Da falta dela.
E agora a segurança manda intervir por essas ribeiras do Funchal como se não houvesse amanhã. De mansinho, desataram a montar estaleiros, foram aos armazéns tirar fitas e chapas e ferro e capacetes e até encontraram pilhas de ‘catrapilhas’, algumas dignas de participar numa parada-de-clássicos-das-obras-que-já-lá-foram. E agora, à força toda, toca a entrar ribeira dentro. Não sei se é para cimentar o fundo da ribeira, se é só para separar as pedras secas das molhadas ou, talvez, para ensinar o caminho à água em dias de tempestade. O que sei, e é assumidamente pouco, quase ao nível da ignorância, é o que sabem as gentes do povo: que as ribeiras, como o mar, um dia vêm buscar o que é seu. Mas isso é o povo ingrato que diz. Por isso, tomo como mais cuidadas as observações pertinentes que vão fazendo cidadãos, autarcas e técnicos que não entendem o porquê desta euforia nas ribeiras do Funchal. E subscrevo o alerta público contra a destruição de património lançado por estes dias por Danilo Matos na sua página no Facebook.
Entretanto, depois de se cimentar meia Madeira em nome da segurança e do conforto (que foi real em tantos casos, é justo reconhecer mais uma vez) parece que descobrimos nas ribeiras um filão sustentado na segurança e ainda noutra palavra mágica: o emprego. Conjugadas estas duas palavras - a necessidade de dar segurança, mesmo ao que nem se sabia inseguro, e a necessidade de garantir emprego - temos explicações que chegam e sobram para a maioria dos incautos.
Na verdade, em segurança e com emprego garantido, ficam algumas empresas que não têm mais onde gastar cimento nem alcatrão. Em segurança ficam também os governantes que percebem que o povo quer é obras. E voltamos, de mansinho, a ensaiar um tímido regresso ao mesmo ciclo: o do betão.
Miguel Silva
Actualizado há 7 horas e 51 minutos
Diário de Notícias da Madeira
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