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Inteligência Competitiva
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Inteligência Competitiva
Teve início na Coimbra Business School (ISCAC), no passado sábado, o primeiro curso pós-graduado em Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva realizado numa escola de gestão portuguesa.
O mérito deste projeto é da direção do ISCAC cuja vontade de inovar permitiu a realização deste curso pioneiro numa área central para o ensino da gestão empresarial.
Assumi com motivação a direção científica deste projeto, com o objetivo de desenvolver um programa de referência em matéria de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, e em matérias conexas como a estratégia empresarial, gestão da mudança, liderança e segurança empresarial. Acresce a rara oportunidade de reunir um corpo docente composto por especialistas oriundos das diferentes linhas de pensamento.
Esta incursão no ensino universitário pós-graduado pretende contribuir para o esclarecimento de uma série de equívocos existentes em torno desta matéria resultante da forma empírica como tem sido tratada e, assim, preconizar uma visão integrada adaptada à realidade atual da gestão empresarial.
Sendo fundamental dotar os alunos de competências nas áreas do Conhecimento e da Inteligência, potenciando a perceção da importância das mesmas para a criação de valor nas empresas, é também essencial uma abordagem à questão terminológica e conceptual promovendo o esclarecimento e a harmonização entre as linhas de pensamento das Informações de Estado, da Inteligência Económica, de matriz francófona, da Inteligência Competitiva, de matriz anglo-saxónica, e da Gestão do Conhecimento, desenvolvida essencialmente nas escolas de gestão.
A inteligência competitiva exclui qualquer lógica estatal ou pública, beneficiando apenas da importação dos princípios, conceitos, alguns mecanismos e processos oriundos da linha de pensamento das Informações de Estado, devidamente depurados e adaptados à realidade da gestão empresarial, dotando-a de uma riqueza e profundidade doutrinal que não possuía. Por outro lado, o conceito de inteligência económica, desenvolvido em França na década de 90, não só inclui a atividade do Estado e dos poderes públicos como preconiza uma cultura voluntarista e, supostamente, patriótica.
Para esta linha de pensamento, que não é a linha orientadora do curso de pós-graduação na Coimbra Business School, a inteligência económica é um assunto do Estado, empresas e cidadãos, unidos numa solidariedade de interesses.
Quando desenvolvida pelo Estado, em particular através dos seus organismos de informações, constitui uma política pública que é prosseguida com base em três princípios: a procura de poder; a análise e avaliação dos conflitos de natureza económica; e a transversalidade da informação.
Este processo de harmonização doutrinal é essencial para evitar os equívocos que dão origem à simplista e, por vezes, amadorística justaposição de matérias verificadas em alguns cursos que, apesar das boas intenções subjacentes, contribui para alguma confusão científica inibidora da clara separação entre as atividades públicas ou estatais de informações e a atividade empresarial privada de inteligência ou conhecimento.
No sentido de continuar o esforço de esclarecimento aceitei um convite da CIIWA – Competitive Intelligence & Information Warfare Association, entidade que muito tem contribuído para o debate destas questões, para proferir uma palestra sobre esta temática, no dia 10 de novembro, na Academia Militar.
Esta reflexão pretende contribuir para que, paulatinamente, a sociedade portuguesa, em particular no relacionamento Estado – empresas, venha a alterar o paradigma de sociedade de conhecimentos para sociedade de conhecimento.
Jorge Silva Carvalho
Consultor especialista em inteligência competitiva e estratégia
31 Outubro, 2014 00:01
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