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Os novos aliados bálticos
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Os novos aliados bálticos
É sabido como Putin olha para os territórios dos Estados que antes integravam a URSS.
Os países bálticos, por definição histórica, são países que merecem toda a simpatia, apoio e solidariedade dos países ocidentais. Trata-se de Estados em territórios que estiveram sob o jugo imperialista da União Soviética, durante décadas, mais exatamente até à queda do Muro de Berlim (1989).
São povos que sempre ansiaram de um modo muito especial pela libertação e que, por razões compreensíveis, amam essa mesma liberdade, mas temem ao mesmo tempo perdê-la. Têm fronteiras com a Rússia e é sabido como o país de Vladimir Putin olha para os territórios dos Estados hoje independentes e que antes integravam a superpotência URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).
Mas os países bálticos não devem merecer só simpatia e solidariedade, devem suscitar também admiração pelos feitos alcançados. Recordo-me que passei férias em Talin, capital da Estónia, em 2003. Estive lá três semanas e pude aperceber-me, ainda antes de entrarem na União Europeia (UE), como estavam desenvolvidos em matéria de e-government.
Lá ninguém acharia estranho – como já aconteceu cá, num fim de semana de crise no sistema financeiro – o conselho de ministros reunir-se por videoconferência. Quando recebi a Presidente da Letónia em 2004 existia um motivo gerador de competição entre os dois países: ambos pretendiam ter o direito e a honra de receber a cimeira da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Naturalmente, a Letónia era uma fortíssima candidata pela razão muito compreensível de os países membros da Aliança Atlântica quererem dar um sinal da importância que davam (e dão) aos Estados bálticos.
Portugal, por sua vez, era também um candidato forte, porque era um parceiro fidelíssimo da Aliança e dos Estados Unidos da América e é bom lembrar que vínhamos de anos em que o nosso país tinha estado especialmente envolvido em opções de política externa que muito tinham a ver com essa lealdade à parceria com os seus aliados tradicionais. Havia, no entanto, que tratar também da cooperação económica e do desenvolvimento das relações entre Estados, nos quais nos preparávamos para abrir representações diplomáticas próprias.
A visita da distinta chefe de Estado da Letónia, Vaira Vike-Freiberga, e a reunião de trabalho que mantivemos foi na altura importante para desbravar um caminho de cooperação mais estreita entre os dois países, mas também para dar o testemunho de que aquela competição circunstancial não beliscava de modo algum o bom relacionamento que queríamos manter e aprofundar. Como disse, fiquei com a forte impressão de uma senhora distinta, inteligente, muito bem preparada e muito afirmativa.
Foi chefe de Estado até 2007, tendo contribuído para assegurar a consolidação do regime democrático no seu país. É de notar que a democracia na Letónia e nos países bálticos tem cerca de 25 anos, porque começou com o início da década de 90. A Letónia, assim como a Lituânia e a Estónia, aderiram à NATO e à UE em 2004, ou seja, há pouco mais de uma dezena de anos. Sugiro a todos os leitores que o possam fazer que visitem os países bálticos. Trata-se de terras de uma raríssima beleza, de um património muito rico, de uma história muito intensa, muito acidentada, mas que dá grandes motivos de orgulho aos cidadãos daqueles países.
23.08.2015 00:30
PEDRO SANTANA LOPES
Correio da Manhã
Os países bálticos, por definição histórica, são países que merecem toda a simpatia, apoio e solidariedade dos países ocidentais. Trata-se de Estados em territórios que estiveram sob o jugo imperialista da União Soviética, durante décadas, mais exatamente até à queda do Muro de Berlim (1989).
São povos que sempre ansiaram de um modo muito especial pela libertação e que, por razões compreensíveis, amam essa mesma liberdade, mas temem ao mesmo tempo perdê-la. Têm fronteiras com a Rússia e é sabido como o país de Vladimir Putin olha para os territórios dos Estados hoje independentes e que antes integravam a superpotência URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).
Mas os países bálticos não devem merecer só simpatia e solidariedade, devem suscitar também admiração pelos feitos alcançados. Recordo-me que passei férias em Talin, capital da Estónia, em 2003. Estive lá três semanas e pude aperceber-me, ainda antes de entrarem na União Europeia (UE), como estavam desenvolvidos em matéria de e-government.
Lá ninguém acharia estranho – como já aconteceu cá, num fim de semana de crise no sistema financeiro – o conselho de ministros reunir-se por videoconferência. Quando recebi a Presidente da Letónia em 2004 existia um motivo gerador de competição entre os dois países: ambos pretendiam ter o direito e a honra de receber a cimeira da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Naturalmente, a Letónia era uma fortíssima candidata pela razão muito compreensível de os países membros da Aliança Atlântica quererem dar um sinal da importância que davam (e dão) aos Estados bálticos.
Portugal, por sua vez, era também um candidato forte, porque era um parceiro fidelíssimo da Aliança e dos Estados Unidos da América e é bom lembrar que vínhamos de anos em que o nosso país tinha estado especialmente envolvido em opções de política externa que muito tinham a ver com essa lealdade à parceria com os seus aliados tradicionais. Havia, no entanto, que tratar também da cooperação económica e do desenvolvimento das relações entre Estados, nos quais nos preparávamos para abrir representações diplomáticas próprias.
A visita da distinta chefe de Estado da Letónia, Vaira Vike-Freiberga, e a reunião de trabalho que mantivemos foi na altura importante para desbravar um caminho de cooperação mais estreita entre os dois países, mas também para dar o testemunho de que aquela competição circunstancial não beliscava de modo algum o bom relacionamento que queríamos manter e aprofundar. Como disse, fiquei com a forte impressão de uma senhora distinta, inteligente, muito bem preparada e muito afirmativa.
Foi chefe de Estado até 2007, tendo contribuído para assegurar a consolidação do regime democrático no seu país. É de notar que a democracia na Letónia e nos países bálticos tem cerca de 25 anos, porque começou com o início da década de 90. A Letónia, assim como a Lituânia e a Estónia, aderiram à NATO e à UE em 2004, ou seja, há pouco mais de uma dezena de anos. Sugiro a todos os leitores que o possam fazer que visitem os países bálticos. Trata-se de terras de uma raríssima beleza, de um património muito rico, de uma história muito intensa, muito acidentada, mas que dá grandes motivos de orgulho aos cidadãos daqueles países.
23.08.2015 00:30
PEDRO SANTANA LOPES
Correio da Manhã
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