Procurar
Tópicos semelhantes
Entrar
Últimos assuntos
Tópicos mais visitados
Quem está conectado?
Há 299 usuários online :: 0 registrados, 0 invisíveis e 299 visitantes :: 1 motor de buscaNenhum
O recorde de usuários online foi de 864 em Sex Fev 03, 2017 11:03 pm
Culpados
Página 1 de 1
Culpados
A crise financeira parece longínqua, agora que temos uma política monetária que permite a emissão de dívida portuguesa em condições excepcionais.
A festa vai continuar, com o BCE a anunciar que em Dezembro equaciona baixar ainda mais a taxa de juro, já de si negativa. A ordem é para gastar primeiro e perguntar depois, que o diga Mário Draghi que defendeu um investimento em infra- estruturas europeias como forma de criar emprego, no que é uma mudança face ao apelo feito até aqui para o equilíbrio das contas públicas.
Fica por saber quem paga a factura das constantes mudanças de opinião.
No sistema financeiro, as alterações têm sido ainda mais marcantes e culminaram na tentativa da Inglaterra aprovar uma regra onde todos os responsáveis por instituições financeiras são culpados até serem dados como inocentes – ‘Guilty until proven innocent’. Dei por mim a pensar o que aconteceria se esta regra fosse alargada a toda a sociedade, nomeadamente às decisões políticas que afectam o futuro dos países. O bom senso, acabou por substituir esta regra por outra também estranha – dever de responsabilidade. Poucos colocaram em causa os objectivos de Mark Carney, governador do banco de Inglaterra, já que ninguém está isento de ter a seu cargo colaboradores menos éticos, especialmente em instituições com milhares de colaboradores. É grave quando se acham normais, decisões cuja origem é duvidosa, como é provavelmente neste caso e que deriva da incapacidade do banco central inglês supervisionar o sistema.
Na Europa continental, discute-se o aprofundamento da União Bancária, nomeadamente a criação de um fundo de garantia e depósitos comum. Lá diz o ditado, casa arrombada, trancas à porta. Esta discussão irá levar dois anos e a sua implementação outros tantos. Entretanto a concorrência desleal prolifera, com os grandes bancos a poderem vender aos seus depositantes a solidez do seu balanço, por contrapartida dos que têm mais dificuldades. Exemplo é a contribuição para o fundo de resolução português. Alguns bancos estrangeiros, a operarem em Portugal através de sucursais, não contribuem para o fundo de resolução que irá precisar de dinheiro para pagar o prejuízo com a venda do Novo Banco. Esta é mais uma enorme falha na arquitectura bancaria europeia. Ao não terem esse ónus futuro, obtém uma vantagem concorrencial face aos bancos que têm sede em Portugal, podendo oferecer melhores condições de depósito e/ou crédito. Por seu turno, os depositantes, que são aliciados com soluções mais rentáveis, têm agora a responsabilidade e a obrigação de conhecerem o estado da saúde da sua instituição financeira – serão também estes culpados?
O populismo parece estar para ficar. Mas mais grave é a sua aceitação com consequências imprevisíveis; afinal a “ditadura” está sempre à espera de uma oportunidade.
Nota: 18 dias depois das eleições, caiu o último tabu. Ficou claro que nenhum partido tem uma base de apoio alargada e que se avizinha uma batalha campal pelo poder, com pouco respeito pela opinião dos portugueses. A factura chegará a seu tempo, seja qual for o governo, já que o precedente foi aberto – a omissão dos reais objectivos dos partidos, na campanha e nas negociações. As diferenças entre norte e sul da Europa espelham-se neste triste espectáculo.
00:05 h
Pedro Lino
Económico
A festa vai continuar, com o BCE a anunciar que em Dezembro equaciona baixar ainda mais a taxa de juro, já de si negativa. A ordem é para gastar primeiro e perguntar depois, que o diga Mário Draghi que defendeu um investimento em infra- estruturas europeias como forma de criar emprego, no que é uma mudança face ao apelo feito até aqui para o equilíbrio das contas públicas.
Fica por saber quem paga a factura das constantes mudanças de opinião.
No sistema financeiro, as alterações têm sido ainda mais marcantes e culminaram na tentativa da Inglaterra aprovar uma regra onde todos os responsáveis por instituições financeiras são culpados até serem dados como inocentes – ‘Guilty until proven innocent’. Dei por mim a pensar o que aconteceria se esta regra fosse alargada a toda a sociedade, nomeadamente às decisões políticas que afectam o futuro dos países. O bom senso, acabou por substituir esta regra por outra também estranha – dever de responsabilidade. Poucos colocaram em causa os objectivos de Mark Carney, governador do banco de Inglaterra, já que ninguém está isento de ter a seu cargo colaboradores menos éticos, especialmente em instituições com milhares de colaboradores. É grave quando se acham normais, decisões cuja origem é duvidosa, como é provavelmente neste caso e que deriva da incapacidade do banco central inglês supervisionar o sistema.
Na Europa continental, discute-se o aprofundamento da União Bancária, nomeadamente a criação de um fundo de garantia e depósitos comum. Lá diz o ditado, casa arrombada, trancas à porta. Esta discussão irá levar dois anos e a sua implementação outros tantos. Entretanto a concorrência desleal prolifera, com os grandes bancos a poderem vender aos seus depositantes a solidez do seu balanço, por contrapartida dos que têm mais dificuldades. Exemplo é a contribuição para o fundo de resolução português. Alguns bancos estrangeiros, a operarem em Portugal através de sucursais, não contribuem para o fundo de resolução que irá precisar de dinheiro para pagar o prejuízo com a venda do Novo Banco. Esta é mais uma enorme falha na arquitectura bancaria europeia. Ao não terem esse ónus futuro, obtém uma vantagem concorrencial face aos bancos que têm sede em Portugal, podendo oferecer melhores condições de depósito e/ou crédito. Por seu turno, os depositantes, que são aliciados com soluções mais rentáveis, têm agora a responsabilidade e a obrigação de conhecerem o estado da saúde da sua instituição financeira – serão também estes culpados?
O populismo parece estar para ficar. Mas mais grave é a sua aceitação com consequências imprevisíveis; afinal a “ditadura” está sempre à espera de uma oportunidade.
Nota: 18 dias depois das eleições, caiu o último tabu. Ficou claro que nenhum partido tem uma base de apoio alargada e que se avizinha uma batalha campal pelo poder, com pouco respeito pela opinião dos portugueses. A factura chegará a seu tempo, seja qual for o governo, já que o precedente foi aberto – a omissão dos reais objectivos dos partidos, na campanha e nas negociações. As diferenças entre norte e sul da Europa espelham-se neste triste espectáculo.
00:05 h
Pedro Lino
Económico
Página 1 de 1
Permissões neste sub-fórum
Não podes responder a tópicos
Qui Dez 28, 2017 3:16 pm por Admin
» Apanhar o comboio
Seg Abr 17, 2017 11:24 am por Admin
» O que pode Lisboa aprender com Berlim
Seg Abr 17, 2017 11:20 am por Admin
» A outra austeridade
Seg Abr 17, 2017 11:16 am por Admin
» Artigo de opinião de Maria Otília de Souza: «O papel dos custos na economia das empresas»
Seg Abr 17, 2017 10:57 am por Admin
» Recorde de maior porta-contentores volta a 'cair' com entrega do Maersk Madrid de 20.568 TEU
Seg Abr 17, 2017 10:50 am por Admin
» Siemens instalou software de controlo avançado para movimentações no porto de Sines
Seg Abr 17, 2017 10:49 am por Admin
» Pelos caminhos
Seg Abr 17, 2017 10:45 am por Admin
» Alta velocidade: o grande assunto pendente
Seg Abr 17, 2017 10:41 am por Admin