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“Quem não sente, não é filho de boa gente”
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“Quem não sente, não é filho de boa gente”
“Quem não sente, não é filho de boa gente!”. Este é um velho e verdadeiro ditado português. Normalmente o seu significado é negativo, ou seja, reflete a mágoa por qualquer atitude ou acção praticada por alguém contra quem nutre esse sentimento.
Infelizmente, a minha Família (e eu próprio) tem razões para o aplicar face a vários comportamentos assumidos pelas autoridades madeirenses e porto-santenses, apesar de tudo o que fizemos em prol do Porto Santo (e por via indirecta, também pela Madeira).
Ocupação indevida de terras, arborização selvagem de terras, expropriações cuja indemnização se “perdeu”, boicotes a projectos turísticos e imobiliários (posteriormente aprovados a terceiros contrariando o PDM e aquilo que nos tinha sido recusado), “apropriação” abusiva da Fundação, construção de arruamentos sem expropriação, são apenas alguns exemplos, mas elucidativos do que fomos alvo.
Mas, “quem não sente, não é filho de boa gente” pode também ter o significado de reconhecimento, e hoje, para minha grande alegria – certamente partilhada pelo meu agregado familiar e pela minha Irmã – é esse o caso, e tem como principal responsável o Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque.
A abertura do Núcleo Museológico Jorge Brum do Canto marca o virar da página à indiferença com que o arquipélago tratou até hoje, ou melhor, destratou a memória de Jorge Brum do Canto. A ingratidão foi tal que até o seu falecimento foi ignorado pelas entidades oficiais madeirenses (nem um telegrama de pêsames foi enviado à Família), ao contrário das entendidas nacionais que, para além de o terem feito, reconheceram o seu contributo cultural ao conceder-lhe uma alta condecoração, a título próstomo, a qual tive o grato prazer de oferecer à RAM e se encontra agora exposta neste Núcleo Museológico.
A inteligência, a sensibilidade e o carácter do Dr. Miguel Albuquerque, permitem à RAM uma dinâmica pouco habitual, mas que trará frutos num futuro próximo. Exemplo disse é esta iniciativa que possibilidade, desde logo, o enriquecimento do acervo madeirense e a divulgação da cultura portuguesa.
Jorge Brum do Canto foi a primeira pessoa a dar conhecimento do Porto Santo ao mundo, através da imagem; fê-lo com a realização do filme “A Canção da Terra”, envolvendo as gentes da terra nas filmagens, algo insólito e nunca antes visto, sendo pioneiro a nível mundial daquilo que veio a ficar conhecido como «neorrealismo». Igualmente, através dos artigos que escreveu na Revista Diana – secção da pesca – inúmeras vezes se referiu à Madeira e ao Porto Santo, despertando o interesse colectivo na sua descoberta. Também na escrita, o Porto Santo foi uma constante – tanto na prosa, como na poesia – e, por último na sua vertente ictiológica, o estudo dos costumes e fauna marítima do Porto Santo foram sublimes (publicados recentemente no livro intitulado “Cantares, Dizeres e Fauna Marítima do Porto Santo”, coligidos por ele e coordenados por mim).
A nível global, Jorge Brum do Canto foi um dos principais realizadores de cinema da sua época, a que juntou as facetas de actor e de autor. Destacou-se igualmente na pesca desportiva – fundou Clubes de Pesca, bateu recordes nacionais e internacionais (o troféu de um deles está agora exposto), foi galardoado por quatro vezes como um dos melhores pescadores desportivos mundiais e, como já referi, autor da página da Revista Diana e director da secção de pesca, deixando ainda inúmeros estudos sobre a matéria. Por último a sua paixão pela gastronomia que o levou a ser co-autor do famoso livro de cozinha “O LIVRO DE PANTAGRUEL” fundado por sua Mãe (Bertha Rosa-Limpo) e tendo também como co-autora a sua irmã Maria Manuela Caetano, cuja 1ª edição remonta ao ano de 1946.
É um pouco da sua vida, da sua obra, dos seus objectos pessoais, dos seus escritos, dos seus troféus e condecorações que a partir de hoje poderão ser partilhados pelos porto-santenses e pelos madeirenses, mas também por todos os que visitam esta nossa maravilhosa Ilha e que, graças à iniciativa do Senhor Presidente da RAM, ficou mais rica.
E, como “quem não sente, não é filho de boa gente”, a minha Família e eu, sentimo-nos profundamente gratos por este gesto e por esta iniciativa do Senhor Presidente do Governo da RAM que, independentemente do teor cultural do mesmo, é sobretudo um tributo e uma mais do que justa homenagem a um Homem da cultura portuguesa, mas sobretudo de alguém que tudo fez em prol do “seu” Porto Santo.
O Núcleo Museológico Jorge Brum do Canto é um espaço de uma dignidade e simplicidade notáveis, cujo trabalho tem que ser realçado e devidamente reconhecido e de visita obrigatória.
A toda a equipa responsável por este projecto e em particular ao Dr. Miguel Albuquerque, pela iniciativa, os meus parabéns e o meu sentido obrigado.
Nuno Alves Caetano
Diário de Notícias da Madeira
Domingo, 3 de Julho de 2016
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